Acrobustite bovina (umbigueira) e a importância da avaliação do sistema reprodutor de bovinos de corte
Ellen Cristina Gonçalves
8º Período do Curso de Medicina Veterinária na FEPAR.
Estagiária Vet-Maxi
Segundo Coulter et al. (1991), citado por Guimarães (1999), a reprodução é 10 vezes mais importante que o melhoramento e cinco vezes mais importante que a melhoria de carcaça no desempenho produtivo de uma fazenda. Ou seja, o sucesso da produção depende também da eficiência reprodutiva do rebanho, para que melhores resultados sejam alcançados.
Contudo, se faz necessário a difusão dos conhecimentos dos fenômenos reprodutivos que podem ocorrer durante o desenvolvimento do animal, como as doenças, sendo uma delas a acrobustite ou umbigueira, importante para a eficiência no processo de reprodução do rebanho (VALLE, 2011).
Acrobustite ou umbigueira é o processo inflamatório crônico da extremidade do prepúcio com estreitamento do canal e, consequentemente, não exteriorização do pênis. Geralmente esta associada a feridas, úlceras, edema, necrose, fibrose (AMARAL et al., 2009).
Uma característica comum aos touros de raças zebuínas é a presença de prepúcios longos e pendulosos, que em função de seu comprimento ficam mais próximos de vegetação, estando muito mais predispostos a lesões traumáticas, inflamação, úlceras e ainda impedimento à saída do pênis. Sendo esta uma característica a ser levada em consideração no processo de seleção e descarte de touros para a reprodução (TORRES JUNIOR, 2003).
Animais com acrobustite apresentam dificuldade na realização da cobertura (dependendo do grau de severidade), aumento de volume, necrose da mucosa, presença de miíase (bicheira), sangramento, abcesso e aumento da temperatura local, podendo ocorrer retenção de urina e dor à palpação. A exposição do pênis pode não ocorrer e associada aos outros sinais clínicos torna o touro inviável para a reprodução (RABELO et al., 2006).
O tratamento é realizado através da administração de antibióticos e antiinflamatórios injetáveis e medicação local, além do uso de duchas frias e a colocação de bandagens em torno da extremidade do prepúcio. No caso de insucesso no tratamento o animal devera ser submetido à cirurgia (RABELO et al., 2006).
Em apenas 4,6% do rebanho nacional, é utilizada a inseminação artificial e o restante do rebanho continua com manejo de monta natural. Outro aspecto importante a ser considerado é o fato de um touro acasalar em média com 25 fêmeas durante a estação de monta, sendo o mesmo é responsável por mais de 80% do melhoramento genético que se pode alcançar nas características produtivas do rebanho (GUIMARÃES, 1999).
A acrobustite (umbigueira) em touros pode causar uma das formas de infertilidade chamada de impotência coeundi, caracterizada pela perda ou diminuição da libido, ou seja, desejo de copular e também pela incapacidade ou perda da habilidade em realizar a cópula, de forma temporária ou permanente, dependendo do tipo e da gravidade da lesão. Esse tipo de impotência independe da qualidade do sêmem do touro e sim do sucesso da cobertura (EMBRAPA, 1993; HAFEZ, 2004).
Independente do manejo reprodutivo utilizado em cada propriedade as doenças que afetam o sistema reprodutor do touro podem acarretar problemas na fertilidade, causando a queda da produção e consequentemente em grandes perdas econômicas (BICUDO, 2007). A reprodução animal desempenha um grande papel no processo produtivo de bovinos e o seu sucesso depende de uma maior atenção do produtor ao rebanho e seu manejo, principalmente na prevenção de doenças e que podem interferir neste processo.
A pecuária no Brasil necessita cada vez mais buscar o melhor aproveitamento possível dos recursos disponíveis, pelos custos elevados de produção de bovinos de corte e as dificuldades encontradas no dia a dia.
Em função disso, é de grande importância que seja realizado por médicos veterinários, exames que verifiquem as condições gerais de reprodução dos machos da propriedade, sempre exigi-los antes da estação de monta e da compra de animais, e ter uma observação mais frequente do rebanho e das condições do manejo, evitando assim sérios prejuízos na produção de gados de corte (EMBRAPA, 1997).
REFERÊNCIAS
AMARAL, T. B. · SERENO, J. R. B. · PELLEGRIN, A. O; Fertilidade, funcionalidade e genética de touros zebuínos. Embrapa Pantanal; Campo Grande, MS: Embrapa Gado de Corte; Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 219p., 2009.
BICUDO, S. D.; SIQUEIRA, J. B.; MEIRA, C. Patologias do sistema reprodutor de touros. Biológico, v.69, n.2, p.43-48, 2007. Disponível em: http://www.biologico.sp.gov.br/docs/bio/v69_2/p43-48.pdf, acessado em: 02/02/2012 às 22:05hs
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte (Campo Grande, MS). Cuidados com as doenças da reprodução na estação de monta. Campo Grande, 1997. 4p. (EMBRAPA-CNPGC. Gado de Corte Divulga, 21). Disponível em: http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD21.html, acessado em: 01/02/12 às 21:40hs.
HAFEZ, E. S. E.; HAFEZ, B. Reprodução Animal. São Paulo: Manole. 7. ed. 2004.
GUIMARÃES, J. D. Maximização do uso de touros a campo. I Simpósio de Produção de Gado de Corte. Departamento de Veterinária: Universidade Federal de Viçosa – MG, 1999. Disponível em: http://simcorte.com/index/Palestras/p_simcorte/15_jd.pdf, acessado em: 04/02/12 às 10:41hs.
RABELO, R. E. et al. Acrobustite bovina: revisão de literatura. Revista CFMV Conselho federal de medicina veterinária, Brasília: CFMV, v. 12, n. 37, p. 30-37. março./abril, 2006.
SILVA, A.E.D.F.; DODE, M.A.N.; UNANIAN, M.M. Capacidade reprodutiva do touro de corte: funções, anormalidades e fatores que a influenciam. Campo Grande: EMBRAPA-CNPGC, 1993. 128p. (EMBRAPA-CNPGC. Documentos, 51). Disponível em: http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc51/03avaliacaocapacidade.html, acessado em: 01/02/12 às 20:32hs.
TORRES JÚNIOR, R.A.A.; BIGNARDI, A.B.; SILVA, L.O.C. Seleção para correção de prepúcio e ausência de prolapso em touros de corte. Documentos 137. Campo Grande: EMBRAPA-CNPGC, 22p., 2003.
VALLE, E. R.(editor técnico) Boas práticas agropecuárias: bovinos de corte: manual de orientações. – 2. ed. rev. ampl. – Campo Grande, MS : Embrapa Gado de Corte, 2011. Disponível em: http://bpa.cnpgc.embrapa.br/material/MANUAL_de%20BPA_NACIONAL.pdf, 04/02/12 às 11:12hs.



