Importância do diagnóstico de gestação na bovinocultura de corte

Eduardo Kehrig de Araujo
9º período do Curso de Medicina veterinária na PUC-PR.
Estagiário Vet-Maxi

Devido à alta competitividade do mercado mundial e visando um maior faturamento e uma baixa nos custo de produção, atualmente objetiva-se ter animais mais produtivos e um maior giro na propriedade. Com isso há melhora nos índices zootécnicos, como alta taxa de natalidade (mais de 80%), baixa taxa de mortalidade do rebanho (1 a 2%), dependendo a fase do animal, menor intervalo entre partos (ideal 12 meses), alto peso à desmama, menor idade ao abate, aumento na fertilidade do rebanho, entre outros. Reflexo disso é um aumento na margem de lucro e na eficiência de produção. Mas para isso é necessário o uso de biotecnologias, melhoramento genético e manejo adequados, alimentação e sanidade aliada a uma gestão eficiente, conhecimento (técnico capacitado), criatividade, força de vontade, paciência e disposição para vencer.

Os quatros pilares responsáveis pela sustentabilidade econômica dos sistemas de produção do gado de corte são: melhoramento genético, sanidade, nutrição e reprodução. Destes, a reprodução pode ser considerada o principal pilar, pois ela produz a matéria prima principal dessa industria: o bezerro (CAMPOS et al., 2005). Devido estes fatores é de grande importância uma atenção especial ao diagnostico de gestação, monitoramento de ovário e útero, para uma melhoria da eficiência reprodutiva.

Conforme BAYARD, FIGUEIREDO & FREITAS (2008) o diagnóstico de gestação permite determinar a existência e duração da gestação. Sendo que desde o início do século XX realiza-se a técnica de palpação retal em bovinos, que oferece um resultado seguro a partir dos 45 dias após a fecundação. A partir da década de 80, este diagnóstico passou a contar com o auxílio da técnica de ultrassonografia, possibilitando um diagnóstico mais precoce. Na prática são estes os dois métodos utilizados para diagnóstico imediato de gestação na fêmea bovina. A palpação retal na fêmea bovina deve ser realizada por um médico veterinário capacitado, usando os EPI’s necessários e o animal deve estar contido, para maior segurança. Antes de iniciar o exame recomenda-se a realização de uma inspeção da vulva e também ao redor da glândula mamária, pois estes podem apresentar sinais que auxiliam na confirmação do diagnóstico.

A ultrassonografia ou ecografia é uma técnica não invasiva e que não provoca modificações biológicas, tanto nos animais examinados quanto em quem está examinando. Como no método de diagnóstico anterior, a fêmea deve estar devidamente contida, oferecendo segurança ao examinador e ao equipamento (BAYARD, FIGUEIREDO & FREITAS, 2008).

O uso da ultrassonografia facilitou a tomada de decisões precoces, que podem interferir no índice de produtividade da propriedade. Esta técnica facilita também o manejo dos animais e previne gastos desnecessários. Outra vantagem é que possibilita uma avaliação mais rápida da eficiência dos programas de indução de cio e sincronização de cio utilizado pela propriedade, podendo mensurar o índice de fertilidade e prenhez.

Entre o 17° e 19° dia após a fecundação pode ser observada a vesícula embrionária, que é caracterizada por uma área ecogênica e esférica. A partir do 23° dia pós-serviço pode ser visualizado o embrião, que se apresenta como uma estrutura de média ecogenicidade, contida no interior da vesícula embrionária, sendo esta última anecóica. Esta técnica possibilita também a identificação do sexo do feto, prática conhecida como sexagem fetal. É feita através da visualização do tubérculo genital a partir do 50° dia de gestação. A determinação do sexo pode ser útil para a tomada de decisão do produtor principalmente sobre o manejo, devido ao acompanhamento mais preciso da evolução do rebanho. Outra aplicação da ultrassonografia envolve a detecção da morte embrionária e o monitoramento dos eventos que culminam com a morte do concepto (BAYARD, FIGUEIREDO & FREITAS, 2008).

A identificação precoce das fêmeas não gestantes permite, a curto prazo, aplicações de medidas terapêuticas, implantação de outra estação de monta ou mesmo descartes de animais, reduzindo perdas e aumentando a eficiência reprodutiva. Identificadas as fêmeas vazias, elas devem ser descartadas do rebanho antes do início do inverno, pois ainda não perderam peso e o descarte dessas aumenta a disponibilidade de forrageiras para as fêmeas prenhes durante o terço final de gestação, quando as exigências nutricionais se elevam. De acordo com VALLE, ANDREOTTI & THIAGO (2000), um plano de descarte baseado unicamente no diagnóstico de gestação deve ser analisado com muito cuidado. Um número elevado de fêmeas vazias pode ser o resultado da restrição alimentar após períodos de seca prolongados, como também da fertilidade e capacidade reprodutiva dos touros e da incidência de doenças da esfera reprodutiva, que não foram diagnosticadas.

A retenção de um embrião não viável (morte embrionária) no interior do útero é normalmente acompanhada pela manutenção do corpo lúteo. Assim, quando diagnosticadas por ultrassonografia, as fêmeas podem ser tratadas com drogas luteolíticas para regressão do corpo lúteo, diminuindo as concentrações de progesterona, acompanhado da expulsão do tecido embrionário e o retorno a ciclicidade. Anteriormente, a detecção destas perdas não era possível, pois não havia um diagnóstico precoce de gestação, nem um método para se avaliar a viabilidade fetal. Com a ultrassonografia, todas as imagens de gestação não fisiológicas levam a um diagnóstico presuntivo de morte embrionária ou fetal precoce (SOUZA, 2007).

A identificação e o descarte das matrizes improdutivas e de baixa produtividade são alternativas de manejo que possibilitam ao produtor otimizar, de forma racional e econômica, o desempenho do rebanho, mas é uma prática que merece ser avaliada por mais de um critério (VALLE, ANDREOTTI & THIAGO, 2000).

Portanto, o diagnóstico precoce de prenhez auxilia o produtor na tomada de decisão e melhora o retorno econômico da atividade devido ao menor tempo para confirmação da prenhez e, conseqüentemente, menor tempo que as vacas não prenhes permanecem vazias. Como conseqüência, além do aumento em produtividade, haverá uma maior oferta de produto de melhor qualidade, contribuindo para aumentar nossa competitividade no mercado da carne.

Fontes:

ANDRADE, V. J.; Manejo reprodutivo de fêmeas de bovinos de corte. In: SIMPÓSIO DE PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE, 1. 1999, Viçosa. UFV, 1999. P. 85-135.
BAYARD, P. G., FIGUEIREDO, J. R., FREITAS V. J. F. Biotecnicas aplicadas à reprodução animal. Ed: 2º (2008), São Paulo. Editora roca. P. 17-26.
HAFEZ, E. S. E. Reprodução Animal. Ed 4º., São Paulo: Manole, P. 1998. 720.
SOUZA R. F. Ultra-sonografia na reprodução da fêmea bovina. Monografia (Graduação) – Universidade Federal de Goiás. Medicina Veterinária. Campus Jataí, 2007.
VALLE, R. E., ANDREOTTI, R., THIAGO, S. L. R.L., Embrapa, 2000, Disponivel em: http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc93/006diagnostico.html
WARLEY EFREM CAMPOS, ET AL; Manejo reprodutivo em gado de corte. Planaltina, DF : Embrapa cerrados; 2005. Disponivel em: www.cpac.embrapa.br/download/348/t