Produção de Carne a Pasto

Tânia Lermen Feroldi
Estudante do 4º ano de Medicina Veterinária PUC-PR
Estagiária Vet-Maxi

A pecuária nacional nas últimas décadas vem apresentando um aumento nas taxas de crescimento, em termos de produção, exportação e consumo (ZEN & CARVALHO, 2008). Além de ter um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, o Brasil tem como vantagem o fato de possuir grandes áreas de terras com baixo custo e clima favorável. Apesar do Brasil se destacar como produtor de carne, seus índices zootécnicos não são satisfatórios, fazendo com que a produção esteja abaixo do potencial. O sistema de criação empregado sofre com a sazonalidade das chuvas, não favorecendo as pastagens durante o ano todo, assim o gado ganha peso no período de maior desenvolvimento das pastagens (quando ocorrem as chuvas) e perde na seca. As forrageiras utilizadas normalmente são de baixa qualidade, devido às características dos solos, das espécies cultivadas e principalmente devido à falta de práticas de manejo com as pastagens, como: técnica de pastejo adequada, lotação ideal, correção do solo (calagem e adubação), entre outras (OLIVEIRA, et al., 1999).
Para que a produção animal em pastagens siga com o mesmo crescimento (ou até maior) é necessário que os produtores se atenham às práticas de manejo adequadas a sua região. Como NETO (1994) alerta, não há um sistema de pastejo ótimo para as mais diversas situações. Na verdade, para cada sistema de produção há um método de pastejo que melhor se ajusta aos fatores de produção.
O bom manejo consiste em tomada de decisões técnicas capazes de manter o equilíbrio entre os fatores conflitantes da produção. É fundamental observar que a otimização da produção só será alcançada quando a maximização da produção forrageira for adequadamente utilizada, de preferência por animais de maior potencial produtivo, que estejam em boas condições de saúde e sob manejo geral adequado (OLIVEIRA & FARIAS, 2006).
O manejo correto e a adubação das pastagens têm proporcionado sensíveis melhorias nos índices de produtividade. Entretanto, em alguns casos, essas estratégias não são suficientes para resolver o problema nutricional do gado no período seco. Assim, faz-se necessário que o produtor use estratégias nutricionais mais adequadas para que os animais não percam peso (PEREIRA, 2011).
A irrigação de pastagens, desde que conduzida de forma adequada, poderá ser uma alternativa importante não só para permitir incremento nas taxas de lotação no período de águas ou da seca, mas também para possibilitar que sistemas de produção de carne sejam capazes de ofertar produto de qualidade o ano inteiro (PACHECO, 2002).
A combinação apropriada da alimentação, do manejo e do potencial genético do animal, levando-se em consideração as exigências de mercado e a necessária melhoria da qualidade da mão-de-obra, resultará em um sistema de produção rentável, sustentável e competitivo (PACHECO, 2002).
Dessa forma, a maior utilização de capital e de tecnologia tem como conseqüência maiores probabilidades de incremento no lucro. Mas, por outro lado, resultam em maior complexidade e aumento de risco, o que por sua vez requer melhor gerenciamento (PACHECO, 2002).
Os programas de controle da produção animal esitem e devem ser uma ferramenta na tarefa de auxiliar os pecuaristas na obtenção de melhores resultados, aumentando e melhorando assim os índices zootécnicos da pecuária nacional.

REFERÊNCIAS
NETO, M. S. Sistemas de pastejo 2. In: Pastagens: Fundamentos da exploração racional; 2.ed. Piracicaba, 1994. Anais… Piracicaba: FEALQ, 1994. p. 377-399.
OLIVEIRA I. P; FARIAS G. A; Considerações sobre manejo de bovino em sistema de pastejo; 1Trabalho realizado pela Universidade Estadual de Goiás e Embrapa Arroz e Feijão; Junho 2006.
OLIVEIRA I. P.; KLUTHCOUSKI J.; SANTOS R. S. M.; MAGNABOSCO, C. U.; FERNANDES  A. Desempenho animal sob os diferentes manejos das pastagens. Apostila curso de atualização por tutoria à distância – Modelos de sistemas de produção. Módulo VI. Uberaba: ABCZ/FAZU, 1999. p 85-93.
PACHECO B. E. V; Produção de carne à pasto; Palestra apresentada durante o III Simpósio de Forragicultura e Pastagens, realizado em Lavras – MG; 6 e 7 de junho de 2002.
PEREIRA M.J; Manejo estratégico da pastagem; Disponível em: http://www.ceplac.gov.br/radar/semfaz/pastagem.htm; Itabuna – BA; acessado em 03/05/2011.
ZEN S.; MARTINS M. S.; BERNARDINO C. T.; Perspectivas de consumo de carne bovina no Brasil. ESALQ/USP. Piracicaba – SP, 20 a 23 de julho de 2008.