Como anda o abate de fêmeas?

Como está a evolução do abate de fêmeas? É interessante analisar estes dados para termos uma noção de qual fase do ciclo pecuário estamos.

As constantes altas que vêm sendo observadas nos preços da arroba do boi gordo podem ser creditadas, principalmente, ao aumento da demanda mundial por carnes e a oferta reduzida de animais para o abate.

A primeira está relacionada ao aumento da população mundial, da renda desta população – que com mais dinheiro no bolso opta por comprar mais este tipo de proteína, em especial o brasileiro que tem experimentado uma melhor distribuição de renda e assim o mercado interno segue aquecido.

O segundo fator não é exclusividade do Brasil. Está claro que existem menos animais sendo disponibilizados no mercado, por aqui isso acontece devido ao intenso aumento no abate de matrizes que ocorreu de 2003 a 2006, em consequência dos preços reduzidos da arroba, que desestimularam investimentos na atividade produtiva e forçaram os criadores a abater um número maior de fêmeas para fazer caixa. Assim a oferta de bezerros diminuiu e posteriormente os reflexos apareceram no mercado do boi gordo também. Outro ponto que deve ser levado em conta e que agravou ainda mais o desequilíbrio entre oferta e demanda, é que há alguns anos a indústria frigorífica investiu no aumento e modernização do parque industrial brasileiro, promovendo a expansão da capacidade de abate, no entanto a produção não acompanhou esta expansão e o resultado todos nós conhecemos, boi “caro” em praticamente todo o país.

Segundo a pesquisa do IBGE, em 2010 foram abatidas nos frigoríficos brasileiros, com algum tipo de inspeção, 10.566.631 de fêmeas (vacas + novilhas), que foram responsáveis pela fatia de 36,11% do abate total de bovinos. Em 2009 esta participação foi de 37,37% e em 2008 de 39,00%, evidenciando que está sim existindo um movimento de retenção de matrizes na pecuária brasileira que deve se refletir na oferta de animais para abate nos próximos anos.

Leia na íntegra