Abras pede que supermercados repensem repasses de preço.
Diante da expectativa de que o teto inflacionário previsto para 2011, de 6,5%, seja rompido ainda no primeiro semestre, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, convocou todos os integrantes do setor supermercadista a adotar uma postura mais prudente no repasse das altas dos preços. O pedido foi feito na abertura da 30ª Feira e Convenção Paranaense de Supermercados (Mercosuper), realizada nesta segunda-feira (11), no Expotrade, em Pinhais.
“Se a cada aumento dos fornecedores, os supermercados repassarem integralmente para os consumidores finais, a situação tende a fugir do controle. É o momento de todos os envolvidos na cadeia de abastecimento fazerem sua parte visando à sustentabilidade desse forte mercado consumidor que levamos 15 anos para construir”, alerta Honda. Segundo ele, alguns setores já começam a realizar indexação dos preços graças às constantes altas. “Não podemos fomentar novamente um ciclo vicioso de formação de preços a fim de recuperar margens. Melhor perder um pouco agora para garantir lá na frente”, recomenda.
A Abras também reforça sua posição diante das distorções geradas a partir da isenção do PIS e Confins aos frigoríficos, em 2009. “As sucessivas altas nas carnes acabaram absorvendo a isenção tributária. Pretendemos realizar uma audiência com o Ministério da Fazenda para que se corrija essa distorção”, afirma Honda. Além da isenção não surtir efeito na redução do preço, a medida do governo acabou propiciando um novo patamar de valor para as carnes. “Os frigoríficos ganharam a isenção, mas para o consumidor a medida representou um diferimento de PIS e Cofins, visto que o varejo repassou, pois os supermercados, que são responsáveis por 50% da distribuição de carne bovina no País, não ganharam créditos de PIS e Cofins referentes à isenção. Com isso, 6% do preço da carne bovina e 8% do preço de frangos e suínos entraram de forma definitiva na conta do consumidor”, contesta.



