Tricomonose bovina

Eraní Demetrio
Aluno do 9º período de Medicina Veterinária – UNIGUAÇU
Estagiário Vet-Maxi

A tricomonose é caracterizada por uma doença parasitária, infecciosa e sexualmente transmissível que acomete bovinos, causada por um protozoário flagelado denominado Tritrichomonas foetus (RIEDMÜLLER, 1928). É anaeróbio, ativamente móvel e multiplica-se por divisão binária. Ao calor e a desinfetantes comuns é sensível, sobrevivendo poucos dias no ambiente.  Sua distribuição é mundial ocorrendo em qualquer região onde existam bovinos de todas as aptidões (SPÓSITO FILHA & OLIVEIRA, 2009).
A primeira constatação no Brasil foi em 1948, em touros no Rio Grande do Sul em central de Inseminação (ROEHE, 1948). Nas fêmeas a doença se caracteriza por endometrite, piometra, cervicite, vaginite, irregularidades do cio, abortamento precoce, esterilidade temporária e morte do feto que ocorre usualmente entre o 1º e 3º mês de gestação, excepcionalmente podendo se dar após o 5º ou 6º mês de prenhez. Os machos têm uma infecção assintomática, não desenvolvem a doença e nem adquirem imunidade contra o parasita (STOESSEL, 1982).
A transmissão ocorre durante o coito onde o parasita passa do touro infectado para a fêmea suscetível e vice-versa. Sendo assim a utilização da monta natural é um fator que determina a disseminação da doença. Em países que utilizam intensamente à inseminação artificial (IA) a mesma esta praticamente erradicada (SPÓSITO FILHA & OLIVEIRA, 2009).
O principal prejuízo causado pela tricomonose bovina (TB) na pecuária de corte é sobre os custos com tratamento e quando consideramos o aumento do intervalo entre partos, redução da taxa de prenhez entre 20% a 40%, elevação no número de serviços por concepção, refletindo num grande número de vacas vazias ou que concebem tardiamente dentro da estação de monta, produzindo bezerros considerados refugos, que não atingem índices zootécnicos esperados, dificultando a comercialização dos mesmos. Com isso o processo produtivo se torna ineficiente e as perdas são significativas.
Com o auxílio da assistência técnica veterinária é possível realizar um controle periódico, através de coleta e análise laboratorial de amostras dos animais, já que este é único meio de confirmação da tricomonose bovina, pois seus sinais clínicos são semelhantes aos de outras doenças, o que gera dúvida no diagnóstico. Para identificação da Tricomonose Bovina é feito o isolamento e identificação do T. foetus em material prepucial e vaginal ou em fetos abortados e sua membranas fetais (CLARK et al., 1971).
O controle se da pela identificação e eliminação de reprodutores infectados, pois estes são portadores assintomáticos, principalmente aqueles com mais de cinco anos de idade. A introdução de touros novos só pode ser feito mediante supervisão de técnicos e devem ser comprovadamente negativos, após 3 exames consecutivos. O tratamento em touros é preconizado somente àqueles de alto valor zootécnico. Não é indicado para grande número de animais ou para uso indiscriminado em um rebanho (SKIRROW et al., 1985).
As fêmeas que falharem na concepção, abortarem ou apresentarem piometra, assim como as que forem comprovadamente positivas devem ser descartadas para evitar maior disseminação. Os programas de inseminação artificial possibilitam um controle ideal, desde que o sêmen seja comprovadamente negativo para tricomonose bovina.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GOMES, M. J. P. Tritrichomonas foetus Faculdade de Veterinária UFRGS – Microbiologia Clínica 2008-1. Disponível em: http://www.ufrgs.br/labacvet/pdf/Tricho_2008-1.pdf Acessado em 15/02/2011.
ROEHE, R. Tricomoníase bovina. Boletim de Produção Animal., v.4, n.6, .21-26, 1948.
SANTOS, S. M.; REBOUÇAS, M. M.; LOBÃO, A. O. Tritrichomonas foetus (Riedmuller, 1928) em bovinos no Estado de São Paulo – Brasil: distribuição e tratamento. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinaria, São Paulo, v.2, supl.1, p.86, 1993.
SKIRROW, S.; BonDURANT, R. H.; FARLEY, J. Efficacy of ipronidazole against trichomoniasis in beef bulls. Journal of the American Veterinary Medical Association, Chicago, v.187, p.405- 407, 1985.
SPÓSITO FILHA.; OLIVEIRA, S.M OLIVEIRA. Divulgação técnica Triconomose Bovina. Biológico, São Paulo, v.71, n.1, p.9-11, jan./jun., 2009.
STOESSEL, F. Las enfermedades venereas de los bovinos: Trichomoniasisyn vibriosis genital. Zaragoza: Acribia, 1982. 163 p.