Importância Econômica do Controle da Brucelose
A brucelose bovina é uma doença de distribuição mundial e de grande importância econômica. É conhecida também como febre de Malta, febre do Mediterrâneo e febre ondulante, entre outras denominações utilizadas com menor freqüência (VERONESI, 1996).
É uma zoonose de distribuição universal que compromete em geral trabalhadores que mantêm contato freqüente com animais, como veterinários, retireiros e magarefes (VERONESI, 1996).
Seu agente etiológico é uma bactéria Gram negativa, em forma de bastonete, denominado Brucella abortus. Causadora de graves transtornos reprodutivos, como abortos, retenção de placenta e endometrites nas fêmeas. Nos machos ocorrem orquites, epidedemite, perda da libido e infertilidade. Ela também pode infectar e replicar-se em macrófagos. A sobrevivência em macrófagos, na glândula mamária e no linfonodo supramamário resulta na infecção crônica após o aborto. A principal porta de entrada da B. abortus é a mucosa do aparelho digestivo (oral) quando da ingestão de água ou alimento contaminado com restos de abortos (feto, placenta, secreção uterina). A bactéria atravessa a barreira intestinal alcançando a circulação sanguínea. Quando entra na circulação sanguínea, penetra nos macrófagos, multiplica-se e dirige-se para os órgãos do aparelho reprodutor (BEER, 1998).
A imunidade que se instala é lenta, razão pela qual pode ocorrer mais de um aborto em uma mesma fêmea. Na primeira gestação, o aborto ocorre mais precocemente (5º ou 6º mês), na segunda gestação pode ocorrer ao redor do sétimo mês, e em um terceiro eventual aborto (raro) por volta do oitavo mês porque a imunidade se instala completamente por volta do período correspondente ao terceiro aborto. A partir de então, as gestações seguem normalmente e os bezerros nascem a termo. As fêmeas devem ser vacinadas entre o 3º e 8º mês de vida, e só devem ser submetidas a testes diagnósticos para brucelose quando possuírem idade igual ou superior a 24 meses. Fêmeas não vacinadas e machos podem ser submetidos a exames para diagnóstico de brucelose a partir de 8 meses de idade. Fêmeas testadas no periparto (15 dias antes ou depois do parto), devem ser retestadas 30 a 60 dias após o parto (Fraser, 1997)
O controle desta zoonose é baseado na higiene, aplicação de vacinas e eliminação dos animais reagentes. Todos são muito importantes e o descuido em qualquer um deles poderá tornar o trabalho de erradicação muito difícil. Por isso a importância de um acompanhamento profissional e de uma assistência técnica regular, para que os problemas relacionados a brucelose diminuam gradativamente.
Os exames poderão ser realizados somente por Medico Veterinário. Dependendo das condições da propriedade, poderão ser coletados e realizados na propriedade.
A brucelose bovina provoca grande impacto nos setores produtores de leite e carne, sobretudo, nas exportações destes produtos. De acordo com os dados oficiais relativos à freqüência da brucelose, pode-se afirmar que a doença está presente em todo o território nacional. É considerada a maior causa de prejuízo da criação de bovinos. De uma maneira geral, a brucelose causa perdas de 25% da produção de leite e carne e de 15% na produção de bezerros (BRASIL, 2006). Em dados práticos, um rebanho de 100 matrizes que possui 15 vacas infectadas, pode resultar em perdas anuais de pelo menos 15 bezerros (CAVALCANTE, 2000).
Em 1971 o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estimou um prejuízo de US$ 32 milhões/ano em decorrência apenas do 3º abortamento e queda da produção leiteira (POESTER al., 2002). Dados recentes da Argentina revelam que os prejuízos causados pela brucelose chegam a US$ 60 milhões/ano. Por meio de simulações matemáticas, observou-se que rebanhos leiteiros com baixa prevalência de brucelose, variando de 0,06% a 3%, teriam prejuízos de 5 a 14% por ano, computando perdas de produtividade, gastos com medicamentos e assistência veterinária, abortamentos, mortalidade e descarte/reposição de animais (LUCAS, 2006).
É uma doença de extrema importância, que a partir do ano 2001 adquiriu o status de doença com notificação obrigatória, com a aprovação e publicação no dia 10 de Janeiro de 2001 pelo Ministério da Agricultura do Regulamento Técnico do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).
Sua prevenção e sua profilaxia tornam-se fundamentais. Deve ser feito o monitoramento dos rebanhos, como a identificação e sacrifício dos animais contaminados pela Brucella abortus. É indispensável o acompanhamento técnico no controle e erradicação desta doença, para se fazer uma programação adequada de todos os manejos e medidas necessárias para conter a doença. Cada propriedade é única e as mesmas medidas podem não ser aplicáveis para cada situação. Assim, os prejuízos que a brucelose pode causar são minimizados ou até mesmo eliminados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEER,J. Brucelose bovina. Doenças Infecciosas em Animais Domésticos. São Paulo: Roca. V.2. 1998.
BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – ManualTécnico: Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal – PNCEBT, Brasília: MAPA/DAS/DAS, 2006. 184p.
CAVALCANTE, F. A. Brucelose, diagnóstico e controle. Embrapra Acre: Instruções Técnicas, n.26, p.1-3, 2000.
LUCAS, A. Simulação de impacto econômico da Brucelose bovina em rebanhos produtores de leite das regiões centro oeste, sudeste e sul do Brasil. 2006. 124 f. Tese (Doutorado em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses) –Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
Fraser, M.C. Manual Merck de Veterinária. 7oed. São Paulo: Roca, 1997. p.335-334.
INTERVET. Brucelose – Introdução. Disponível em: http://www.intervet.com.br/Doencas/Brucelose/010_Introdu__o.aspx Acessado em 08/02/2011.
VERONESI, R; FOCACCIA, R (Compilador). Tratado de Infectologia. São Paulo: Atheneu, 1996. V.2. p.249.



